quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

O Último Instante no Primeiro Momento

            Droga, mas que lugarzinho ridículo esse, hein? Falando nisso… Jack, você trouxe as convidadas especiais do nosso feliz dia de ano novo? Sim? Que bom, fico contente. Elas já são da casa, mas gosto de vê-las em dias assim, elas ficam mais “apropriadas”, concorda? Sabia que sim.

            Você poderia ter dito que não sabia escolher as coisas, cara. Tudo bem que elas pouco se interessam na onde estamos, meu amigo, mas é que elas são dignas de espetáculos onde todos possam nos ver depois de um tempo. Hahaha, o que? Eu deveria maneirar nesse sonho? Por favor, você já está se tornando um porre.

            Certo, desculpa – fui grosseiro com você, meu amigo. Mais um brinde para nós! Yeah! Tantos lá fora estão sorrindo e não suspeitam nossa ausência… Pensando bem, todos estão lá, e estamos sozinhos aqui. Mas acho que preciso de nenhum deles, tudo sempre dá errado comigo perto.

            Não, não estou com os olhos lotados de lágrimas como um rio. É que fiquei com sono, não sei quanto tempo faz desde o último cochilo. Mas obrigado, garotas, por elogiarem essa minha beleza deplorável. Mais um brinde, estamos quase lá!

            Mesmo com vocês aqui, que me acompanham há anos, me sinto solitário. Tenho saudades de sorrir em lugares diferentes, saudades de ter um motivo para acordar a cada dia. E tenho medo de não sentir mais saudades, porque elas ainda lembram que minha alma tem jeito.

            O que, mais um brinde, Jack? Tudo bem, aqui vamos nós! Ah sim, desculpem de novo, moças. É que quando o sentimento de derrota consome seu corpo é difícil alçar voo novamente. É esforço demais para alguém que não quer mais viver.

            Vocês podem mudar isso? Hahaha, não sabia que eram tão engraçadas, nunca as ouvi dizer coisas desse tipo! Mas, de qualquer maneira, apenas por curiosidade… Como seria isso? Um voo que nunca faria minhas asas se cansarem? Parece legal.

            Beleza, se só preciso me conectar a vocês duas de uma vez, eu não vejo problema – muito pelo contrário, fico mais contente ainda pelo convite. Antes, Jack, meu amigo, foi bom te ver de novo. Te olho de lá enquanto você faz companhia a seus outros tantos amigos que “vossa alteza” sempre se gaba em ter. Fica em paz, vou te levar comigo.

            Então venham, senhoritas. Façam sua mágica e… Caramba, você não estava de brincadeira. O primeiro contato já me animou mais do que eu esperava. Não consigo controlar essa felicidade instantânea, senhorita, não paro de sorrir. Imagina quando sua amiga chegar mais perto!

            Só que… O que é isso? É, vocês duas parecem demais até para mim, tão experiente nessa área. Sabem bem onde atingir um soldado. Mas por que tudo está ficando, sei lá, sem vida? Vejo a luz dos fogos, mas não os ouço. Agora, até mesmo desse lugar que é alto, onde eu deveria ver bem essa iluminação, está escurecendo… Vocês me enganaram dessa vez, vadias. E pelo que parece, pela última vez.

                Meu medo de não sentir mais saudades está se realizando contra minha vontade, afogando-me nesse mar onde nenhum ser ousou estender a mão.

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