terça-feira, 16 de dezembro de 2014

O 309º Dia do Ano Sempre Será Agridoce


            É novembro e eu acordei vazio como a garrafa de uísque que insisti em beber ontem. Tudo para celebrar o quinto dia desse mês, que é a sua data especial. Mais uma vez, são coisas da minha cabeça, porque nesse coração você revirou tudo e foi embora. Uma parte é culpa minha, eu sei, mas ainda me marca como se tivesse sido esse ano.

            Não consigo levantar, mas não por causa da ressaca e sim pela ausência de quem eu mais amei durante minha vida inteira. Você foi quem me ajudou a sair das trevas, mas antes… Foi você mesma que me empurrou para lá. Mais uma vez, eu causei isso também. Éramos jovens até demais e corações desesperados para amar, pois com tantos problemas em casa, precisávamos de um porto seguro. Você era o meu, e eu o seu.

            Quantas noites eu fiquei te esperando online no saudoso MSN (nos termos de hoje, estou antigo por isso), até altas horas da madrugada, só para perguntar do seu dia, te mostrar que eu me importava com sua vida mais do que qualquer outro. Eu conseguia, naquela época. Sua voz acalmava todo caos contido aqui dentro.

            E aqueles planos jamais realizados? Viagem pra lá, viagem pra cá, praia aí, shopping aqui. Tudo isso me inspirava a continuar estudando porque eu sabia que íamos realizar. Só que eu não sabia que isso um dia ia acabar, assim como o nosso amor que nem era tão amor assim, tava mais para uma paixão adolescente. Você acertou: ferrou toda nossa amizade.

            O único arrependimento continua sendo esse gosto amargo do álcool na minha boca por não poder ter saboreado direito quando eu era feliz. Você me fez alegre e esperançoso enquanto éramos eternos, mas agora, estamos acabados. Não tem mais volta, sonhar contigo é o mesmo que estar no passado e não seguir em frente… Isso porque tu me incentivava a ir de encontro ao futuro por causa da minha música.

            Eu te amei, minha doce antidepressiva, minha então heroína não injetável. Você foi a inspiração perfeita para esse então aspirante a próximo Kurt Cobain, foi minha Courtney Love perfeita. Não lamento que nós dois como um casal tenha dado errado, mas sim que nem um oi consigamos trocar mais. A sua importância na minha vida foi grande mesmo com tanta desgraça que aconteceu, e eu sou grato por ter me ensinado a ser mais forte e acreditar ainda mais no coração.

            Mas agora… Adeus. Estou seguindo em frente e não vai ter nenhum uísque que me faça parar, nem mesmo lembrar, que eu já quis te amar para sempre como eu havia prometido. O que posso dizer? Dessa vez, a sorte não estava sorrindo para nós e eu preciso parar de procurar o álcool como meu remédio diário.

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