Pena que tu é incapaz de informar qualquer coisa agora…
Ou quem saiba possa. Talvez de uma maneira que eu possa não entender, igual quando
suas palavras soavam diferentes – não apenas em sentimento. Difícil descrever
agora, porque mesmo não querendo, foi importante.
Sonhei com esse ideal. Três fases, e uma que duraria até
o fim trágico da minha vida. Antigamente era uma visão romântica, maravilhosa
que existia, mas agora é possível notar que era muita burrice mesmo. Comparava
muito as “semelhanças” e me achava parecido, talvez até com a obrigação de ser
igual.
Sofri intensamente por anos. Tive amigos de muita importância
na época, porém aparentava não bastar. Queria aquele “algo mais” pela carência
de atenção ou pela mente completamente destruída que eu tinha – e mesmo assim
era o conselheiro de muitos amigos (sorte que eles se deram bem).
Eu queria entender como é possível que tu esteja sempre
no momento que a noite sem lua cai. Não sei se algo me leva a te ouvir, ou
simplesmente acontece. Foram anos incríveis pela primeira sensação de estar
vivo para viver intensamente… Mas anos trágico por sentir o maldito desejo pela
morte.
Nunca vou te entender. Na verdade, nem quero e nem mesmo
sei a razão de estar escrevendo isso. Parece infantil, mas dane-se… Já ouvi
coisa muito pior a meu respeito. Só que aí tem outro ensinamento (uma das
coisas boas que aprendi contigo): não me importar com a opinião dos outros em
100% das situações – mesmo que sim, eu me importe.
Obrigado pela teoria da simplificação, e da arte
transformar a tristeza numa das coisas mais belas na Terra. Obrigado também
pelo espelho concedido (mesmo não sendo o ideal) e pela sensação de ser
parecido com alguém que eu admirei muito. Agradeço também pelo ódio que foi
gerado e sumiu, por aquela garota que me ajudou e na época me amou. Apesar de
sabermos que o responsável não é você.
E outra vez, espero te deixar no passado.
Definitivamente. Foi muito bom recorrer aos seus acordes e gritos quando a
tristeza ou desejo suicida surgiam em meu coração. Mas ainda ouço lágrimas
caírem no chão quando te ouço, talvez porque você me faça relembrar tudo de uma
vez e me deixa cabisbaixo com tamanha facilidade se paro pra escutar. Genial,
mas trágico e também mágico.
A arte me inspirou a ter a mente que tenho hoje e, bem,
que sua tristeza suma juntamente de toda indecisão e vontade de cair no abismo
que habita no meu antigo Eu. Ser você não era a resposta, a resposta era ser eu
mesmo e atingir o topo com minhas próprias mãos… Levando, apenas, só o que de
bom eu consegui aprender contigo. Que seja, né? Talvez nossas semelhanças
finalmente tenham acabado, Cobain.


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