A Hipocrisia da Indústria Fonográfica
Sim, pode parecer incrível, mas é verdade: a hipocrisia é o que mais me
chama a atenção na indústria fonográfica.
Concordo que todos nós temos nossos sonhos, e lutaremos até o fim para
realizá-los. Porém, entre nossos sonhos, e o desejo de alcançá-los, existe uma
linha, que nos divide, e tenta, por mais dura que seja esta tarefa, nos pôr no
chão: a linha da realidade.
Você, fã árduo de Heavy Metal. Estuda horas à fio, treina duramente com
sua guitarra, absorve todas as influências possíveis, compondo suas melodias e
letras. Acha alguns amigos, também instrumentistas, que compartilham do mesmo
sonho que você: fazer fama com sua banda. A banda está formada. Vocês seguem
seus princípios, coverizam suas bandas favoritas, criam suas próprias canções,
fazem jus ao velho rock n' roll.
De pequenas casas de show à bares, vocês vão levando a banda adiante,
confiantes em seus sonhos. Um belo dia, um produtor musical, aparece com uma
proposta. Gravariam um CD, entrariam em turnê, muito dinheiro, fama,
entrevistas, capas de revista. Tudo que sempre sonharam, com um preço: largar
tudo que você acreditou e lutou até hoje. Tocarão pop-rock, largarão as roupas
pretas, os braceletes e os coturnos.
"Por que não?", "Faremos qualquer coisa por nosso
sonho". A banda estoura, fama, dinheiro, tudo conforme o prometido.
Cheguei onde queria. Por que tantas críticas a esse tipo de banda? A
vida cobra, a gente aceita, ou não. São nossas escolhas. E cada escolha traz
uma consequência. O que me intriga, é que não são poucas as bandas que fazem
esse tipo de 'negócio'. Todas criticadas, muito criticadas.
Você pensaria duas vezes?
Outro exemplo da GRANDE HIPOCRISIA, seriam as bandas consagradas, quando
experimentam um tipo de sonoridade diferente da original. "A banda se
vendeu, os músicos são um lixo". Mas a banda que se vendeu, não é aquela
que fazia você pirar até alguns dias atrás? Aquela que fazia você se arrepiar
naquele solo de guitarra fervoroso? E se a banda realmente se vendeu? Se
entregou ao comercial por dinheiro, e daí? Isso realmente não cabe a você
decidir. Todos nós temos o direito de fazer nossas próprias escolhas.
Músico não é objeto, não é máquina. Ele não tem a obrigação de fazer o
som do jeito que VOCÊ gosta. Ninguém tem. Ninguém deve ter. A interação
banda-fã é fundamental, mas isso não quer dizer interferir nas produções dos
álbuns e definir que rumos a banda deve tomar. Músico também come, também vive.
E você sabe quando isso vai mudar? Nunca.
Haner Jr.
Texto do meu grande amigo e irmão, se quiser ler coisas interessante como essa, acesse: http://raisedbywolves.xpg.uol.com.br/ :)

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