sábado, 11 de fevereiro de 2012


A Hipocrisia da Indústria Fonográfica

Sim, pode parecer incrível, mas é verdade: a hipocrisia é o que mais me chama a atenção na indústria fonográfica. 

Concordo que todos nós temos nossos sonhos, e lutaremos até o fim para realizá-los. Porém, entre nossos sonhos, e o desejo de alcançá-los, existe uma linha, que nos divide, e tenta, por mais dura que seja esta tarefa, nos pôr no chão: a linha da realidade. 

Você, fã árduo de Heavy Metal. Estuda horas à fio, treina duramente com sua guitarra, absorve todas as influências possíveis, compondo suas melodias e letras. Acha alguns amigos, também instrumentistas, que compartilham do mesmo sonho que você: fazer fama com sua banda. A banda está formada. Vocês seguem seus princípios, coverizam suas bandas favoritas, criam suas próprias canções, fazem jus ao velho rock n' roll. 

De pequenas casas de show à bares, vocês vão levando a banda adiante, confiantes em seus sonhos. Um belo dia, um produtor musical, aparece com uma proposta. Gravariam um CD, entrariam em turnê, muito dinheiro, fama, entrevistas, capas de revista. Tudo que sempre sonharam, com um preço: largar tudo que você acreditou e lutou até hoje. Tocarão pop-rock, largarão as roupas pretas, os braceletes e os coturnos. 

"Por que não?", "Faremos qualquer coisa por nosso sonho". A banda estoura, fama, dinheiro, tudo conforme o prometido. 

Cheguei onde queria. Por que tantas críticas a esse tipo de banda? A vida cobra, a gente aceita, ou não. São nossas escolhas. E cada escolha traz uma consequência. O que me intriga, é que não são poucas as bandas que fazem esse tipo de 'negócio'. Todas criticadas, muito criticadas.
  
Você pensaria duas vezes?
Outro exemplo da GRANDE HIPOCRISIA, seriam as bandas consagradas, quando experimentam um tipo de sonoridade diferente da original. "A banda se vendeu, os músicos são um lixo". Mas a banda que se vendeu, não é aquela que fazia você pirar até alguns dias atrás? Aquela que fazia você se arrepiar naquele solo de guitarra fervoroso? E se a banda realmente se vendeu? Se entregou ao comercial por dinheiro, e daí? Isso realmente não cabe a você decidir. Todos nós temos o direito de fazer nossas próprias escolhas. 

Músico não é objeto, não é máquina. Ele não tem a obrigação de fazer o som do jeito que VOCÊ gosta. Ninguém tem. Ninguém deve ter. A interação banda-fã é fundamental, mas isso não quer dizer interferir nas produções dos álbuns e definir que rumos a banda deve tomar. Músico também come, também vive. 

E você sabe quando isso vai mudar? Nunca.

Haner Jr. 


Texto do meu grande amigo e irmão, se quiser ler coisas interessante como essa, acesse: http://raisedbywolves.xpg.uol.com.br/ :)

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